Saturday, March 20, 2010

Vendo a Irlanda com Lentes Rosas

Aproveitando a deixa da Danda, do blog Conexão Brasil Irlanda, compartilho fotos de belas portas georgianas em Dublin.

A foto da porta azul foi tirada pela amiga N. James, durante visita a Dublin, em 2009. A foto da porta rosa foi tirada no meu caminho para a Merrion Square em novembro último. Ela está situada na Merrion St. Upper, virando à esquerda após o pub para turistas Foley´s Bar.

Apesar de não orgulhar-me do que vou contar a verdade é que as portas coloridas foram importantes durante a minha primeira permanência na Irlanda, dez anos atrás.

Certa vez saí de casa - ou sendo mais precisa, da casa da família irlandesa onde eu estava hospedada - após tomar um fraco café da manhã e passei o resto do dia apenas com a pipoca que comi no cinema antes de encontrar as amigas do curso de Inglês, num pub. Na época, Bacardi Breezer era uma novidade eu estava curiosa para experimentar a de sabor laranja.

Comprei uma garrafa e me deliciei com a bebida e dei-me por satisfeita. Contudo, um irlandês - e é aqui que a minha noite toma um novo rumo - aproximou-se do nosso grupo.

Era a minha primeira saída com as amigas espanholas e o primeiro contato social com um nativo.

Pois esse nativo, como um bom e cordial irlandês, não registrava as minhas repetidas recusas à uma nova Bacardi Breezer e eu, não resistindo à tentação, bebi a segunda, a terceira e comecei a quarta garraf..inha.

A combinação de estômago vazio, Bacardi Breezer e má ventilação dos pubs naquela época, quando fumar dentro de pubs era permitido, me causou uma indisposição que me forçou à sair e enconstar na loja ao lado.

Entretanto, porém, contudo, todavia - tenho que prepará-lo(a) para o que vem a seguir - eu não enconstei na loja ao lado, eu desmaiei. Ou Desmaiei com ´d` maiúsculo, pois foi a primeira vez.

Quando retomei à minha insóbria consciência vi os rostos assustados das amigas.

A minha primeira reação foi colocar a mão no bolso e verificar se o meu celular ainda estava comigo. Ele era a conexão com a família. Perdê-lo estava fora de questão. Tenho ele até hoje, inclusive. Guardo como relíquia.

Achado o celular, que estava no chão, eu comecei a enxergar preto – não, não estou sendo racista, chamo meus ancestrais de negros – sim, acho que são ancenstrais de muitos brasileiros haja visto o bumbum grande e o sorriso cativante do nosso povo.

Enfim, deixei de enxergar. Não sabia onde as espanholas haviam ido parar. A visão ía e vinha e nesse intervalo eu avistei dois rapazes encostados num carro logo à minha frente e toquei o braço de um deles. Eles certamente não gostavam de sul americanas, pois me abandonaram. Digo, eles não gostavam de sul americanas embriagas, e, assim me abandonaram. Bem, talvez eles até não desgostavam de sul americanas, apenas não gostavam de pessoas alcoolizadas...

Naquele momento de solidão e sem visão eu pensei como os meus pais ficariam decepcionados se me vissem ali e, como uma bela criancinha, eu comecei meio que a chorar na escuridão dos meus pensamentos e sentei no meio fio.


Uma espanhola aproximou-se e começou a colocar M&Ms (bolinhas de chocolate) na minha boca. Fiquei feliz, pois, bem, adoro chocolate, e precisava mesmo de glicose para cortar o efeito do álcool e porque era uma forma de alimento. Se bem que isso é controverso...

´Alguém gosta de mim independentemente do teor alcoólico no meu sangue`, eu pensei.

Imagino que a espanhola leu o meu pensamento e quis me assegurar que era verdade e, por isso, me deu um beijinho na boca e disse ´Don´t cry, baby`.

Ela era bonita e obviamente uma pessoa muito generosa, pois me fez enxergar novamente, mas algo me disse que ela nunca poderia ser o pai dos meus filhos, então, eu me levantei e peguei o táxi que passava bem na hora.

Percebendo o meu estado, o taxista sugeriu que eu me sentasse no banco da frente. De acordo com a tese desse taxista, você sente o mundo rodando menos se sentar no banco da frente, mas eu desconfio que ele disse isso porque assim é mais fácil limpar ´o estrago` que os taxistas notívagos irlandeses conhecem bem.

Meu estômago viajou bem comportado e quando estávamos subindo a rua em Blackrock ele perguntou ´Qual o número da sua casa?`, e eu respondi `Não me lembro. É a casa com a porta amarela`.

O título deste texto foi inspirado na crítica que recebi de um irlandês há 10 anos, quando vim estudar Inglês e morei 2 anos em Dublin. 

2 comments:

  1. Apesar de tragica, a sua historia e bem legal...rsrsrs...mas quem nao tomou um porre um dia? Voce e mineira? porque mineiro e que tem essa mania de indicar os lugares assim: perto do supermercado tal, perto do bar tal...rsrsrs...e aqui na Irlanda vc usou a porta amarela, que a sua salvadora.rsrsr... Obrigada pelo carinho...bjs e otima semana.

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  2. Oi Danda,
    Não há de quê! Não sou da terra do pão de queijo que tanto a-d-o-r-o, não. Sou de Brasília, mas já me perguntaram se sou de Minas antes, inclusive um próprio mineiro. Não sabia dessa mania deles...
    Boa semana para você também.
    Bjo

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