Sunday, June 05, 2011

Quando o sonho holandês é uma realidade

Em dezembro de 2010 houve uma feira de Natal estilo alemã em Galway. Enfrentamos o frio para provar alguns quitutes natalinos. Eu não tinha nenhuma expectativa. O bratwurst apimentado no pão não desapontou, mas não causou nenhuma comoção. Passamos por uma barraquinha com produtos franceses e compramos algumas delícias para levar para casa. Estava de bom tamanho.

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Quando já estávamos de saída passamos por um barraquinha com produtos holandeses, onde vi o que é chamado de donuts holandeses ou oliebollen, bolas de óleo, em Holandês. Eles pareciam com os sonhos que minha tia Zélia fazia. Hoje resolvi testar uma receita que encontrei online. Para ter mais chances dela dar certo pedi para o Pete me ajudar.

Nunca lidei com este tipo de fermento antes. Você mistura com água quente e fria, além de açúcar e torce para crescer. E não é que cresceu! O cheiro do fermento crescido é bem intenso. Quando você o despeja sobre a farinha e o açúcar ele exala.

Misturamos todos os ingredientes, que agora crescem por 1 hora e 10 minutos. Resolvi organizar a cozinha, um novo passatempo aos domingos. Durante a semana é obrigação, mas no domingo é um prazer, especialmente quanto tento uma receita nova como essa.

Inesperadamente vieram lembranças da minha tia Zélia, que faleceu há muito tempo. Mas não tempo o suficiente para esquecer os momentos em que passava em sua casa durante as férias. Seus filhos já eram adultos e sempre bacanas com os primos mais novos.

Era tanta farra naquela piscina, onde brincávamos de sereia e etc. É justamente ali onde a vejo em minha memória, de maiô, nadando em pé com os braços enquanto conversava conosco. 

Ainda consigo escutar a voz dela falando e cantando. Ambas foram capturadas em vídeos, que assisti quando fui ao Brasil no ano passado. Era uma voz angelical. Algo que gostaria de ter puxado dela, para poder cantar também. Mas me contento com alguma semelhança fisíca que algumas pessoas mais velhas viam em mim quando andava pelas ruas de Catalão durante minha infância. As luzes avermelhadas causadas pelo sol, é uma delas.

Ainda a vejo pintando na sala perto da piscina, onde Silvinha tocava suas músicas cool para a gente; preparando inúmeras ceias de Reveillon;  conversando com com todos em volta da mesa; mandando o Bill calar a boca... Ela só subia a voz para cantar ou aquietar os cães.

Adorava entrar na casa dela pelo pesado portãozinho branco de ferro após subir metade das escadas e virar à esquerda para então andar nas pegadas de pedra, fincadas entre a grama sempre verde, que parecia subir a parede e contrastava com as flores que ficavam ali de fora. 

Do outro lado do portão havia um canteiro em forma de L, logo à direita, onde haviam mais flores e uma fruta com um gosto sensacional, nunca visto em outro lugar. Era amarela, rígida e oca.

À frente do portão, dados uns 12 passos de criança, ficava à piscina e mais à frente, à direita, uma sala aberta com cadeiras de bambu acolchoadas, onde o genro dela, Gilberto, fazia gracinhas para a gente. Bem mais tarde, a esposa dele, minha prima Cláudia, sentaria grávida, duas vezes, com toda sua serenidade. Meu tio Roberto trabalhava muito. Era médico. Ou cuidava da fazenda. 

Quando ele estava em casa era sempre espirituoso. Ele me chamava de Brooke Shields, embora meus dentes fossem bem tortos naquela época. A ponto d'eu cobrir a minha boca com a mão - minha mãe consertou isto mais tarde, colocando aparelho em mim. Meus cabelos eram bem fartos naquela época.  E íam até a metade das costas. Eram marrons com reflexos loiros. Talvez fosse isso. Como eu vivia moreninha de sol! Não saía da piscina. Adorava mergulhar.

IMG_0677O relógio tocou. É hora de [o Pete] fritar os sonhos.

Ficaram perfeitos! Alguns ficaram redondos, outros em formato de lua e outros de pêra. Receita aprovada! A quantidade é suficiente para uma família grande. Comemos 1/3 de imediato e agora vamos refrigerar uma parte e congelar outra, assim como as memórias.

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